Há hotéis onde a arquitectura, a localização e a história fazem parte da experiência tanto quanto o quarto ou o serviço. O Grande Real Villa Itália Hotel & Spa é um desses casos. Situado junto ao mar, em Cascais, o hotel ocupa um espaço com uma história pouco comum no panorama hoteleiro português: a antiga residência de Umberto II, o último Rei de Itália.
Durante a nossa estadia, tivemos oportunidade de conhecer de perto este cinco estrelas e perceber como a história da antiga Villa Itália foi integrada num hotel contemporâneo, com 124 quartos, suites e penthouses, restaurantes com vista para o Atlântico, piscina de água do mar e um spa dedicado à talassoterapia.
Mais do que um hotel junto à praia, encontrámos uma propriedade com uma identidade muito própria, onde o serviço, a gastronomia e o spa têm um peso importante na experiência.
A história da Villa Itália
É impossível falar deste hotel sem começar pela sua história.
O edifício está ligado a Umberto II, último rei de Itália, que chegou a Portugal após o fim da monarquia italiana e escolheu Cascais para viver no exílio. Depois de passar 11 anos, entre 1950 e 1961, na Villa D'Este, propriedade da família Pinto Basto, Umberto II instalou-se na residência que viria a chamar Villa Itália. A casa foi construída junto à anterior residência com o apoio de monárquicos italianos e tornou-se rapidamente um dos endereços mais exclusivos da época em Cascais.
Umberto II teve um reinado extremamente breve. Tornou-se rei a 9 de Maio de 1946, na sequência da abdicação do pai, Vittorio Emanuele III, e deixou o país poucas semanas depois do referendo que conduziu à implantação da República Italiana. Ficou conhecido como o “Rei de Maio”.
Em Cascais, a vida do antigo monarca ganhou outra dimensão. A localização da Villa Itália, junto ao mar e com vista para a baía, tornou-a cenário de importantes eventos sociais. A casa tornou-se conhecida pelas festas e pela presença de várias figuras da aristocracia europeia que, naquela época, tinham escolhido a Linha de Cascais como destino.
Foi neste espaço carregado de história que surgiu, em 2004, o actual hotel, resultado da recuperação e expansão das antigas casas associadas à residência do rei.
Essa herança não foi apagada pelo projecto hoteleiro. Continua presente na arquitectura, em algumas das suites históricas e no próprio conceito do hotel, que procura combinar elementos clássicos com interiores contemporâneos.


Um cinco estrelas com uma identidade própria
O Grande Real Villa Itália Hotel & Spa faz parte de The Leading Hotels of the World, uma referência internacional no segmento de hotelaria de luxo.
A dimensão é significativa, mas o hotel não transmite a sensação de um grande complexo hoteleiro. Os diferentes edifícios e áreas foram integrados num conjunto arquitectónico que mantém uma ligação visual com a antiga Villa Itália.
A decoração de interiores é da autoria de Graça Viterbo, uma das mais reconhecidas decoradoras portuguesas, e aposta numa combinação entre referências clássicas, materiais portugueses e elementos contemporâneos. Um dos detalhes mais interessantes é a utilização do mármore azulino de Cascais nos quartos.
O resultado é um hotel que não procura seguir uma estética minimalista ou excessivamente moderna. Há uma preocupação evidente em manter uma ligação à história do edifício e ao próprio destino.
É uma característica que se nota especialmente nas zonas comuns e nas áreas mais ligadas à antiga residência real.


Uma localização privilegiada junto ao mar
A localização é um dos grandes pontos fortes.
O hotel fica praticamente em frente ao Atlântico, entre as praias de Cascais e Estoril, e a cerca de dois minutos a pé da Marina de Cascais. O centro da vila pode ser alcançado em cerca de cinco minutos a pé através da marginal, enquanto Lisboa fica a pouco mais de 30 quilómetros.
Durante a nossa estadia, aproveitámos precisamente essa localização.
Deixámos o carro no hotel e explorámos Cascais a pé. É uma das vantagens de ficar aqui: a partir da porta do hotel podemos caminhar junto ao mar, chegar à marina e continuar em direcção ao centro histórico.
Para quem pretende combinar alguns dias junto ao mar com visitas a Lisboa, Sintra ou outras localidades da região, a localização também é bastante prática.
A estação de comboios de Cascais encontra-se a cerca de 1,6 quilómetros e existe uma paragem de autocarro em frente ao hotel.

Quartos espaçosos e confortáveis
Durante a nossa estadia ficámos num quarto com vista para a piscina.
Um dos aspectos que mais nos chamou a atenção foi a dimensão. O quarto era bastante espaçoso, confortável e tinha a área necessária para uma estadia sem a sensação de espaço limitado que encontramos em muitos hotéis urbanos.
A decoração mantém a linguagem do restante hotel, com uma combinação entre tons clássicos e elementos inspirados no ambiente marítimo de Cascais.
As diferentes tipologias incluem quartos, suites e penthouses, com um total de 124 unidades, das quais 20 são suites e duas são penthouses, de acordo com a configuração actualmente apresentada pelo hotel.
Alguns quartos têm varanda ou terraço, enquanto determinadas categorias privilegiam vistas directas para o mar.
Entre as opções mais exclusivas está a Majestic Penthouse, desenhada por Graça Viterbo, com amplas áreas interiores e exteriores, jacuzzi com vista para o mar e uma pequena piscina privada. Existe ainda a Royal Penthouse, integrada na parte histórica associada à antiga residência de Umberto II.


Um serviço atento desde a chegada
A experiência começou logo no check-in.
O processo foi fácil e eficiente, sem burocracia desnecessária, e o staff revelou-se extremamente atencioso e simpático ao longo da estadia.
É um daqueles aspectos que pode parecer secundário quando escolhemos um hotel, mas que acaba por definir a percepção global da experiência.
No nosso caso, encontrámos uma equipa disponível e rápida a responder às necessidades, mantendo ao mesmo tempo uma abordagem profissional.
Existe também serviço de valet parking, que utilizámos durante a estadia. Para quem chega de carro, é uma solução bastante conveniente, sobretudo numa zona como o centro de Cascais, onde poder deixar o carro entregue ao hotel simplifica bastante a logística.
O hotel dispõe ainda de garagem e estacionamento exterior, bem como postos de carregamento para veículos eléctricos.
Pequeno-almoço com vista para a piscina
Uma das melhores formas de começar o dia foi tomar o pequeno-almoço no Restaurante Navegantes.
O espaço fica junto à piscina e permite começar a manhã com uma perspectiva muito agradável sobre a zona exterior.
A oferta era bastante completa, com uma grande variedade de opções portuguesas e internacionais. Encontrámos pastelaria e padaria, fruta, charcutaria e diferentes pratos quentes, além de opções preparadas no momento.
Entre as propostas disponíveis estão clássicos como ovos Benedict e panquecas, complementando o buffet.
Para nós, a combinação entre a variedade do pequeno-almoço e o ambiente junto à piscina tornou estas manhãs especialmente agradáveis.
É também interessante o horário, já que o pequeno-almoço é servido diariamente entre as 07h00 e as 11h00.


Uma experiência especial no La Terraza
Durante a nossa estadia tivemos oportunidade de jantar uma vez no La Terraza, e foi uma das experiências gastronómicas que mais se destacou.
O restaurante beneficia de uma localização privilegiada sobre a piscina e o mar, com uma esplanada que se torna particularmente interessante ao final da tarde.
Chegámos a tempo de acompanhar o pôr do sol e o cenário contribuiu bastante para a experiência. O serviço foi simpático e atento, sem ser excessivamente formal.
A cozinha segue uma inspiração mediterrânica, com uma forte ligação aos produtos portugueses e ao Atlântico, mantendo também referências à herança italiana associada ao hotel.
Durante a nossa visita, o hotel tinha uma selecção de pratos especiais integrada na chamada Curadoria do Gosto, dedicada ao carabineiro. O ingrediente estava no centro de diferentes criações e foi precisamente um desses pratos que escolhemos.
Foi um prato bastante interessante e acabou por ser um dos momentos gastronómicos mais memoráveis da estadia.
A carta e os conceitos gastronómicos procuram explorar esta ligação entre o mar, os produtores locais e a tradição mediterrânica, algo que se percebe tanto nos ingredientes como na apresentação.



Bar Mare junto à piscina
Outra das áreas que complementa a experiência durante os meses mais quentes é o Bar Mare.
Localizado junto à piscina exterior, funciona como espaço para refeições ligeiras, snacks, cocktails e bebidas ao longo do dia. O conceito é particularmente adequado para quem prefere não interromper um dia de piscina para fazer uma refeição formal.
A piscina exterior é abastecida com água do mar, uma característica que diferencia esta zona de muitos outros hotéis da região.
A relação entre piscina e Atlântico é, aliás, uma das imagens mais fortes do hotel.
O Real Spa Therapy
Mas foi no spa que tivemos uma das experiências mais marcantes da estadia.
O Real Spa Therapy ocupa mais de 1.000 metros quadrados e foi concebido com inspiração nas antigas termas romanas. O espaço inclui dez salas de tratamento, áreas de relaxamento, circuito de talassoterapia, sauna, banho turco e ginásio.
O design foi, para nós, uma parte importante da experiência.
Existe uma sensação de entrada num espaço completamente diferente do restante hotel, com uma estética muito cuidada, materiais elegantes e uma atmosfera pensada para desligar do exterior.
O grande destaque é, naturalmente, o circuito de talassoterapia.
O circuito de talassoterapia
Foi precisamente o circuito de talassoterapia que escolhemos para terminar um dos dias da nossa estadia.
A talassoterapia utiliza água do mar e o ambiente marinho como base para experiências de bem-estar. No Real Spa Therapy, essa abordagem é traduzida para um circuito de hidroterapia com diferentes momentos de imersão e estímulo através da água.
Para nós, o principal benefício foi imediato: depois de um dia a caminhar por Cascais e de várias horas de actividade, entrar no circuito proporcionou uma sensação muito agradável de relaxamento muscular e descanso.
Existe também investigação científica sobre a talassoterapia que aponta para potenciais benefícios em determinadas condições dermatológicas e músculo-esqueléticas, embora a evidência ainda apresente limitações e seja necessária mais investigação para determinar a dimensão e duração desses efeitos.
Por isso, mais do que encarar o circuito como um tratamento médico, considerámos esta experiência uma excelente forma de complementar a estadia com uma componente de bem-estar.
O spa tem acesso reservado a hóspedes com mais de 16 anos e os tratamentos e serviços requerem reserva antecipada.
No nosso caso, foi precisamente a forma ideal de terminar o dia.



Uma arquitectura que mantém a memória do lugar
Uma das coisas que mais apreciámos ao longo da estadia foi perceber que a história não está apenas contada através de textos ou referências decorativas.
A própria organização do hotel mantém a memória da antiga Villa Itália.
Os quartos históricos e algumas das suites estão directamente associados à antiga residência de Umberto II, enquanto determinadas áreas preservam uma linguagem arquitectónica que remete para o período em que Cascais era um dos destinos escolhidos por famílias reais, aristocratas e outras figuras internacionais.
Ao mesmo tempo, a construção actual acrescenta uma escala e funcionalidades próprias de um hotel contemporâneo.
Essa combinação é particularmente evidente nas zonas exteriores, onde a arquitectura de inspiração clássica convive com a piscina, as esplanadas e os espaços gastronómicos.
Cascais explorada a pé
Uma das maiores vantagens da nossa estadia foi não precisarmos do carro para conhecer Cascais.
A partir do hotel, caminhámos pela marginal até à marina e continuámos em direcção ao centro.
A marina fica a cerca de 850 metros e o centro da vila está a aproximadamente um quilómetro, de acordo com as informações de localização do hotel.
Esta posição permite ainda caminhar até alguns dos principais pontos de interesse da zona, incluindo a área da Boca do Inferno, que fica nas proximidades.
Para quem pretende prolongar a experiência para além de Cascais, Sintra é também facilmente acessível de carro, enquanto Lisboa fica a cerca de 30 a 34 quilómetros, dependendo do ponto de referência utilizado.


Uma estadia onde o hotel faz parte da viagem
Depois de alguns dias no Grande Real Villa Itália Hotel & Spa, ficou claro que a principal característica da propriedade não está apenas numa das suas valências, mas na forma como todas se complementam.
Temos a história de Umberto II e da Villa Itália, uma localização privilegiada em frente ao mar, quartos espaçosos, uma equipa muito atenta, uma oferta gastronómica cuidada e um spa que merece ser incluído no programa da estadia.
No nosso caso, o quarto com vista para a piscina proporcionou o conforto necessário para os dias em Cascais, enquanto o pequeno-almoço no Navegantes se tornou um dos momentos mais agradáveis de cada manhã.
O jantar no La Terraza acrescentou uma experiência gastronómica especial, sobretudo pelo prato de carabineiro e pelo ambiente criado pela vista sobre o Atlântico durante o pôr do sol.
E o circuito de talassoterapia foi, sem dúvida, uma das experiências que mais se destacou.


A nossa experiência
Para a equipa do Melhores Hotéis, que visita regularmente hotéis em diferentes destinos e procura avaliar não apenas o alojamento, mas todo o conjunto da experiência, o Grande Real Villa Itália Hotel & Spa destacou-se sobretudo pela coerência da proposta.
Existe uma história real por detrás do hotel, uma localização excepcional e uma oferta que vai muito além do quarto.
O serviço foi um dos aspectos que mais valorizámos, desde o check-in até aos diferentes momentos da estadia. O staff foi sempre simpático, disponível e atento, mantendo o nível de profissionalismo esperado de um hotel de cinco estrelas.
Também encontrámos uma gastronomia que procura tirar partido da localização e dos produtos da região, com especial destaque para o jantar no La Terraza.
E depois existe o spa, que por si só justifica reservar algumas horas da estadia para conhecer o espaço.
No final, o Grande Real Villa Itália Hotel & Spa revelou-se uma escolha particularmente interessante para quem quer conhecer Cascais a partir de um hotel com personalidade própria.
A possibilidade de sair do quarto e estar imediatamente junto ao mar, caminhar até ao centro, regressar para um almoço ou jantar com vista para o Atlântico e terminar o dia num circuito de talassoterapia cria uma experiência muito completa.
É um hotel onde a história, a localização e a experiência contemporânea conseguem coexistir sem que uma anule a outra. E foi precisamente essa combinação que tornou a nossa estadia em Cascais numa experiência que vamos recordar.





